Os postes daquela rua pareciam falhar de propósito. Mas ele conhecia aquele caminho muito bem, de muros pichados, prédios abandonados, ele sabia decorado o numero de degraus que o levariam até (...) ultima vez que pisaria ali, foi o que ele disse, e voltara milésimas vezes depois da ultima vez. Ele sabia muito bem o que encontraria, quando abrisse aquela porta amarelada do décimo segundo andar. Veria um par de olhos castanhos claros, esbugalhados, fixos em algum ponto da parede que nos seus tempos de gloria fora vermelho sangue, e que agora possuía infiltrações de vértice a vértice daquele cubículo, que um dia fora habitado pelo o que comumente chamamos de casal feliz.
Seria a ultima vez que tocaria naquele par de mãos frias, que mais pareciam ser luvas, longas luvas esbranquiçadas... Os lábios possuíam um tom arroxeado, o contorno dos olhos... Tão fundos, os olhos castanhos sem brilho algum, pareciam tão distantes. Desconfiaria que estivesse tocando em um defunto, juraria que ela estava vegetando se aquele par de olhos esbugalhados não tivesse se movido e o encarassem, observando cada movimento, e se os lábios outrora mortos e imóveis, estivessem se movimentando, pronunciando em uma voz rouca, praticamente inexistente:
- E agora? Hoje você me perdoa?
Preferia não fita-la. Jurou que seria a última vez
- Quem sabe amanhã? Quem sabe.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Postado por ccz às 19:05 1 comentários
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Bad Sun
Every day you bring me pain and we savor it like rain
We hold it on our tongues just like wine.
bravery, the
Postado por ccz às 10:17 0 comentários
sábado, 28 de março de 2009
Desnecessário
Buraco negro. Talvez seja isso que você tenha ai, no meio do peito, no lugar do coração, que deveria bater continuadamente. Puxando tudo para dentro, desse jeito as pessoas se afastam.
Talvez seja por isso que ela mantenha distância, fora do perigo. Cansada de ser sugada para dentro do seu mundinho, ela não quer mais saber o que você guarda de tão precioso lá dentro, que nunca pode mostrar.
Ela se sentia vazia, talvez porque nada fosse suficientemente bom para ela, nada durava o tempo suficiente. Ela não precisava que você a preenchesse de algo que já tinha de sobra dentro de si. Nada. O suficiente para não sentir.
Postado por ccz às 08:59 2 comentários
domingo, 8 de março de 2009
Para pensar II
E tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo (...) que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.
- caio fernando abreu.
Postado por ccz às 15:04 1 comentários
Para pensar I
Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.
- Caio Abreu.
Postado por ccz às 15:01 1 comentários
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Anote.
Quando acabar a inspiração e o copo estiver vazio. Pode anotar o que eu digo, quando os amigos estiverem longe, as mulheres tiverem desistido de mim, e a garrafa de whisky esvaziar. Vou deixar esse corpo velho despencar sem nenhuma classe, sem me preocupar com as aparências, ou se a morte vai parecer um tanto quanto feia para alguns conhecidos. Deixo-o se desfazer, desmanchar, desmontar, degradar, desfalecer. Ah, minha cara. Quando eu estiver aqui, já bastante acostumado com a sua falta e o tédio dos dias que se passam, vou lhe fazer esse favor. Pode anotar, eu ainda morro de amor, apenas para deixá-la um pouco mais feliz.
Postado por ccz às 18:45 2 comentários
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Perda de tempo.
Faça-me um favor, cate todas as suas roupas, esvazie o guarda-roupa, as gavetas, os armários. Suma com todas as suas garrafas, seus cigarros, suas fotografias, suas coleções. Faça-me esse favor, retire todos os seus vestígios da casa, enxugue suas lagrimas, ajeite o seu lado da cama. Apague suas mensagens da minha secretaria eletrônica, esvazie os cinzeiros, os lixos. Leve embora suas roupas íntimas, meus carinhos. Leve embora seus perfumes importados, seus talheres de prata, sua louça impecavelmente limpa. Faça-me um favor, pare de tentar me agradar, leve embora seus sapatos, seus vícios, suas palavras, sua insônia, suas musicas, sua voz. Joga fora, vomita toda a porcaria de amor que eu te dei sem pedir nada em troca, leva embora a porcaria das suas mentiras, a sua hostilidade, seus sorrisos falsos. Quero que você leve embora essa sua cara de pau.
foi uma grande perda de tempo, tudo.
Postado por ccz às 13:23 1 comentários