quarta-feira, 15 de julho de 2009

problema dos outros

cercada por várias versões dos fatos ocorridos. são muitos pontos de vista e poucas verdades.
você pode ate tentar se manter neutro, tenta desesperadamente ficar em cima do muro, tentando fugir da sujeira. mas não adianta, eles jogam na sua cara ofensas veladas, deixam respingos de um sangue preto e coagulado mancharem sua camisa impecavelmente branca e limpa.
você até tenta tampar os ouvidos. cego, mudo, surdo, você até tenta.



'' Penso,

com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios."






caio fernando

quinta-feira, 2 de julho de 2009

23:23

Agora ela tem medo de olhar o relógio sobre a cabeceira, sempre marcando a hora igual, sempre a fazendo desejar...

Evita falar com os velhos amigos, evita andar nos mesmo lugares de antes, evita usar as mesmas roupas, fragrâncias, mesma marca de cigarro, evita escutar as mesmas músicas, evitar usar o mesmo tom de batom, evita comer os mesmos pratos de antes. Decidiu que seria tudo novo, roupa de cama nova, louça nova, amigos novos, gosto musical novo, vícios novos, sonhos novos. escolheu por uma vida nova.
E então, escolhendo perder tudo o que tinha na vida, por apenas uns minutos de silêncio, fingindo ser quem não era. Ela só deseja não se lembrar dele cada vez que olha a si mesma no espelho, imagem refletida, a mesma de antes, só que agora vazia. Lutando constantemente por um minuto de silêncio, esperando constantemente que seu coração por fim, se calasse.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

acesso de bulimia

Vou vomitar. Botar pra fora tudo o que tentam de forma desesperada enfiar-me goela abaixo. Descontrolada, eu não mastigo mais, apenas engulo, nem olho pra saber o que vai entrar. Não faço questão de saber qual é o cheiro, e bom o gosto... O gosto vai ser o mesmo sempre. E se quer saber, não me importo. Mas eu vou vomitar, colocar pra fora, tudo o que eu não tenho e queria ter, vou colocar pra fora tudo o que um dia quis entrar, vou colocar pra fora tudo o que supostamente deveria me completar e que a única coisa que ta fazendo é dilacerar, rasgar, esmagar as supostas sensações que fazem de mim, um ser humano. Vou colocar você pra fora, ou o que sobrou.


Lamento dizer, mas a única coisa que eu sinto, é ânsia.

terça-feira, 23 de junho de 2009

terça-feira inócua

céu nublado, nada de aulas, chocolate quente, cobertores.
hoje só me falta o silêncio.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Is it too late to remind you how we were?
But not our last days of silence, screaming, blur
Most of what I remember makes me sure
I should have stopped you from walking out the door



snow patrol











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foda-se

domingo, 21 de junho de 2009

Passamento

Sinto eles se esgueirando por mim. Rastejam e imploram por um instante de atenção. Posso sentir em cada poro do meu corpo eles tomarem o controle. A textura é áspera, tenho certeza que ao acordar verei cicatrizes, e arranhões sem explicação. Seu gosto é amargo, gosto de perda. Juro que posso enxergá-los à noite, sorrateiramente subindo pela minha cama, se alastram pelos lençóis, agarram-se a cada fibra das fronhas, penetram por cada orifício, interrompem a respiração antes controlada. Sinto implorarem por um segundo de atenção, sem costumes, sem pudores, sinto se entregarem assim de bandeja, me oferecendo a arma certa, esperando apenas que eu puxe o gatilho.